No início dos anos 1980, o eleitor patrocinense ainda não tinha o direito de escolher o prefeito pelo voto popular. Por ser considerada Estância Hidromineral, Patrocínio era classificada como “área de interesse da segurança nacional”, o que fazia com que seus prefeitos fossem nomeados diretamente pelos governadores do Estado.
Esse cenário começou a mudar em 1982, com a eleição de Tancredo Neves para o Governo de Minas Gerais, pelo então PMDB, partido de oposição. A partir dali, abriu-se a possibilidade de a cidade, enfim, definir o chefe do Executivo por meio do voto direto – ainda que antes fosse necessário atravessar um período de transição.
Esse governo provisório seria escolhido a partir de uma lista tríplice formada por membros do PMDB local, submetida ao crivo do governador.
Naquele momento, o nome que corria solto na boca do povo era o do agrimensor Amâncio Silva, então presidente da Câmara Municipal. Outro nome forte dentro do partido era o do comerciante Benjamin Corrêa Borges, o popular “sô Beijim”.
Diante disso, o PMDB patrocinense convocou uma convenção para escolher, por voto dos filiados, o indicado ao cargo. O encontro ocorreu às 20h do dia 7 de março de 1983, no plenário do Palácio Enéas Ferreira de Aguiar. Da convenção saiu a lista tríplice composta por Amâncio Silva, o professor Amir Nunes da Silva e o comerciante Benjamin Corrêa Borges.
O escolhido foi Amâncio Silva. Seu nome seguiu então para apreciação da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, com o apoio do deputado estadual Nilson Gontijo, até ser aprovado pelos demais parlamentares.
Com um histórico político respeitável, Amâncio era descendente do Capitão Damaso José da Silva, vereador da primeira Câmara Municipal de Patrocínio, em 1842, além de ter sido um dos fundadores do MDB no município.
Uma curiosa curiosidade: tradicionalmente, a posse dos prefeitos das Estâncias Hidrominerais acontecia no Palácio dos Despachos, em Belo Horizonte. Em Patrocínio, a transmissão do cargo ocorreu no dia 21 de maio de 1983, no Ginásio Poliesportivo Lucy Meire Assis, o PTC.
Amâncio Silva entrou para a história como o último prefeito indicado de Patrocínio. A partir de 1985, os prefeitos passaram a ser escolhidos pelo voto direto, secreto e popular. Mas aí… já é outra história.
*Pesquisa e acervo de imagens Marelizio Alves Cortes