CRISE FINANCEIRA LEVA DIRETORES A DEIXAR O COMANDO DO CLUBE ATLÉTICO PATROCINENSE

O presidente do Clube Atlético Patrocinense, Fúlvio Eduardo Barbosa, anunciou nesta quarta-feira (18/02) sua saída do comando do clube, juntamente com o grupo que esteve à frente da gestão entre maio e setembro de 2025, período em que a equipe disputou o Campeonato Mineiro do Módulo 2.

A decisão foi comunicada em reunião com a imprensa, diretores e torcedores. Num desabafo emocionado ao repórter Christiano Romão, da Difusora 95, Fúlvio afirmou que o principal motivo da saída é a situação financeira considerada “inviável”, especialmente em razão de dívidas trabalhistas herdadas de gestões anteriores.

Segundo ele, durante os meses em que esteve na presidência, nenhum novo débito foi contraído. “Todos os compromissos da nossa gestão foram honrados, tanto com o comércio quanto com os jogadores” – destacou. O único atleta ainda vinculado ao clube segue recebendo em dia, com todas as despesas médicas quitadas, pontuou.

Passivo milionário e pressão judicial

O dirigente afirmou que o clube acumula cerca de R$ 2 milhões em dívidas, cenário que tem afastado possíveis investidores. De acordo com Fúlvio, além da dificuldade para captar recursos, a pressão judicial tem atingido diretamente membros da diretoria, inclusive com tentativas de responsabilização patrimonial.

“Não reconheço dívidas de gestões anteriores, mas elas são cobradas. E não temos condição de tocar o clube com essas pendências nos assolando” – salientou.

Ele também ressaltou o desgaste emocional enfrentado pelo grupo. “Somos mais do que dirigentes, somos amantes do CAP. Foram noites sem dormir tentando encontrar soluções.”

Tentativas frustradas de parceria

Durante a entrevista, o ex-presidente relatou que buscou alternativas junto à iniciativa privada e também junto ao poder público municipal. Segundo ele, a Prefeitura manteve apoio logístico – como estrutura e disponibilização de profissionais -, mas estaria juridicamente impedida de realizar aportes financeiros diretos.

A administração municipal, contou Fúlvio, contratou consultoria externa e acionou seu corpo jurídico para avaliar a possibilidade de auxílio financeiro mas, infelizmente. não encontrou viabilidade legal. “Infelizmente, o CAP não sobrevive sem ajuda financeira da Prefeitura Municipal” – lamentou.

Fúlvio citou exemplos de outros clubes mineiros que recebem recursos públicos, mas ponderou que cada caso é um caso e, sendo assim, depende de parecer jurídico específico.

Novo edital e expectativa de transição

Com a saída oficializada, um edital deverá ser publicado nos próximos dias para convocação de nova diretoria executiva. A expectativa é de que nos primeiros dias de março o clube já tenha uma definição sobre o novo comando.

Ao encerrar, Fúlvio afirmou que o grupo não abandonará o CAP, mas atuará de forma indireta. “O Clube Atlético Patrocinense é da cidade. Há empresários e pessoas capacitadas que podem dar sequência. Nós precisamos deixar espaço para que novas soluções apareçam.” – finalizou.

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