NOS IDOS DE 1940, PATROCÍNIO TEVE O SEU IBGE MUNICIPAL

Era 12 de maio de 1940. Patrocínio ainda respirava um ar de cidade grande em território e pequena nos encontros, onde todos se conheciam pelo nome e pela história. Naquele dia, porém, havia algo diferente no ar – uma expectativa quase solene, como se o futuro tivesse marcado hora para chegar.

Sob a liderança do então prefeito, doutor José Ribeiro Lage, a cidade se transformou em palco de um feito ousado para seu tempo. Reunidos ali, prefeitos de toda a região, autoridades estaduais e federais, homens de terno alinhado e olhares atentos, testemunhavam o nascimento de uma iniciativa inédita: a sede da delegacia seccional da 9ª circunscrição, a comissão censitária e a Delegacia Municipal de Recenseamento. 

Era o Brasil começando a se medir, a se entender – e Patrocínio, de forma quase poética, decidia estar no centro dessa história, no mesmo ano em que o IBGE dava seus primeiros passos com o primeiro grande censo nacional.

O momento ganhou ainda mais força quando o grande orador patrocinense, doutor José de Faria Tavares, tomou a palavra. Seu discurso, inflamado e cheio de propósito, ecoou pelas paredes e pelos corações – como se cada frase desenhasse, no ar, o contorno de uma cidade que queria crescer com consciência de si mesma. 

E então, entre aplausos e olhares emocionados, veio a inauguração. O Tiro de Guerra 137 marcou presença, enquanto a música, conduzida pelas mãos firmes do maestro José Carlos da Piedade, costurava aquele instante com notas que pareciam eternizar o dia.

Naquele tempo, Patrocínio era vasto – abraçava em seu território o que hoje são Cruzeiro da Fortaleza e Serra do Salitre. E foi justamente com a criação da Delegacia de Recenseamento que um novo capítulo se abriu: surgia o distrito de Catiara, como quem nasce de um gesto administrativo, mas carrega consigo sonhos e pertencimento. 

À frente desse trabalho, o supervisor censitário municipal, senhor Evandro de Oliveira Ribeiro, ajudava a transformar números em identidade, dados em história viva.

Durante anos, a Delegacia funcionou no imponente Museu Hugo Machado da Silveira – à época, o antigo Casarão da Matriz -, guardando em suas paredes não apenas documentos, mas fragmentos de uma cidade que aprendia a se reconhecer. Até que, em 1978, com a mudança do Executivo para o Centro Administrativo, aquele ciclo se encerrou. A Delegacia foi extinta, mas o que ela representou… isso permaneceu.

Porque há histórias que não terminam quando as portas se fecham. Elas seguem ecoando – nos arquivos, nas ruas, e, sobretudo, na memória de uma cidade que, um dia, decidiu contar a si mesma para o Brasil. E, ao fazer isso, acabou se eternizando um pouco mais.

Os personagens que ilustram a foto ‘de capa’ do texto estão descritos na lista abaixo:

*Pesquisa e arquivo fotográfico: Marelízio Alves Cortes

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