Durante a segunda fase da Operação Caça-Fantasmas, foi preso pela Polícia Civil na manhã desta terça-feira (1º), em Uberaba, o vereador Almir Silva (Republicanos). Segundo apuração do Jornal da Manhã, ele é o único alvo de prisão nesta etapa da investigação.
A ação mobiliza cerca de 55 policiais civis, que cumprem 15 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de funções. As diligências também chegaram à Câmara Municipal de Uberaba e ao gabinete do vereador, onde são procurados documentos relacionados aos servidores ligados ao parlamentar.
A prisão é temporária, inicialmente por cinco dias, e estaria relacionada à suspeita de manutenção de servidores fantasmas e outras irregularidades envolvendo o gabinete. As informações sobre eventuais crimes de peculato e troca de favores ainda não foram confirmadas oficialmente.
Em nota, a Polícia Civil confirmou apenas o cumprimento de medidas cautelares determinadas pela Justiça e informou que, devido ao sigilo do processo, não poderia fornecer outros detalhes. A defesa de Almir Silva também foi procurada.
Investigação começou em 2025
A Operação Caça-Fantasmas chegou à Câmara de Uberaba em julho de 2025. Na primeira fase, foram cumpridos mandados de busca em oito endereços, incluindo a residência de Almir Silva. Na ocasião, ninguém foi preso.
Em fevereiro de 2026, a Polícia Civil informou o indiciamento de 18 pessoas por crimes como tráfico de influência, organização criminosa, corrupção, peculato, violação de sigilo funcional e lavagem de dinheiro. Segundo a investigação, os prejuízos ultrapassariam R$ 1,16 milhão.
Em maio, o Ministério Público de Minas Gerais denunciou Almir Silva e outras quatro pessoas em um dos núcleos da investigação. De acordo com o MPMG, o grupo estaria envolvido na nomeação e manutenção de assessores parlamentares que recebiam salários sem prestar efetivamente os serviços correspondentes.
Somente nesse núcleo, o prejuízo estimado pelo Ministério Público supera R$ 636 mil. A investigação também apontou a possível existência de outros oito servidores fantasmas ligados ao gabinete.
O MPMG chegou a pedir o afastamento cautelar do vereador do mandato, mas a Justiça negou a medida naquele momento, considerando que não havia demonstração de risco atual que justificasse o afastamento.