O PRIMEIRO GRANDE PROJETO SOCIAL DE PATROCÍNIO NASCEU EM 1950, PELO PADRE PAULINO VAN DE RYT

Antes mesmo de existirem os programas sociais como conhecemos hoje, Patrocínio já tinha uma iniciativa voltada para combater a pobreza e transformar a realidade de famílias carentes. Criadas em 1950, as Obras Sociais do Sertãozinho marcaram uma das primeiras grandes ações de assistência social da região.

Em uma época em que o Sertãozinho era formado basicamente por humildes casas de capim, um padre decidiu ir além da assistência religiosa. 

Padre Paulino Van de Ryt se deparou com a realidade de dezenas de famílias que viviam em situação de extrema pobreza e resolveu colocar em prática um projeto que unia educação, trabalho, moradia e assistência.

Nasciam, em 1950, as Obras Sociais do Sertãozinho, iniciativa que rapidamente chamou a atenção para além dos limites de Patrocínio.

A repercussão foi tamanha que a tradicional revista O Zebu, de Uberaba, deslocou-se até Patrocínio para conhecer de perto o trabalho desenvolvido pelo religioso. A publicação dedicou uma reportagem ao projeto em fevereiro de 1951.

O trabalho também contava com o apoio das Irmãs do Sagrado Coração de Maria de Berlaar, que contribuíam para as ações desenvolvidas na comunidade.

Abaixo, a reportagem publicada em fevereiro de 1951:

“O município de Patrocínio tem a ventura de abrigar um espírito devotado à tarefa de minorar o sofrimento dos desfavorecidos da sorte, dando-lhes um pouco daquilo que o destino tem sido tão avaro em proporcionar-lhes.

É que lá se instalou o Padre Paulino Van de Ryt, um verdadeiro filantropo que se condoeu da miséria que ali acampava e resolveu construir em Sertãozinho, nos arredores da sede daquele município, uma obra de grande alcance social, levando assistência a uma centena quase de desvalidos da sorte, ali vivendo miseravelmente, à falta de recursos.

E, assim pensando, resolveu o enviado de Deus substituir aqueles casebres sórdidos do arraial miserável por uma povoação de trabalho, em que todos trabalhassem e pudessem levar uma vida simples e modesta, porém a coberto das necessidades de até então.

Daí veio o início das Obras Sociais do Sertãozinho. Seu primeiro trabalho foi a construção da Escola dos Pobres de N. S. das Graças, inaugurada em meados do ano passado. O sentido desse empreendimento do Pe. Paulino Van de Ryt, da Congregação dos Sagrados Corações, foi o de aproximar da cidade um dos seus bairros mais pobres, procurando-se, através dessa aproximação, exercer influência benéfica, não só no espírito das crianças que a frequentam, como, também, sobre as suas famílias.

Imprimindo-se-lhe cunho prático, além da orientação regulamentar a que obedecem os cursos primários, criou-se para os alunos a obrigação do cultivo da terra, em proveito de cada um, em área anexa para esse fim destinada. Paralelamente a esse trabalho, dispôs-se à execução do plano de construção de casas operárias, destinadas às famílias de salário ínfimo e que residem em ranchos de capim. Não ignora que é avançada a iniciativa e grande auxílio demandará dos poderes públicos e de todos.

Prosseguindo no seu programa para as Obras Sociais do Sertãozinho, o Pe. Paulino Van de Ryt está organizando uma escola doméstica, um curso agropecuário, tudo assistido por um serviço social em que se contam: lactário, consultório médico, gabinete dentário, depois da construção de 50 casas de tijolos, para substituir os casebres de barro e de palha.

E é daí que Patrocínio se inclui entre os rincões abençoados por Deus, em que pousam almas puras e caridosas como esse Padre Van de Ryt, verdadeiras vocações do bem.”

Mais de sete décadas depois, a história das Obras Sociais do Sertãozinho ajuda a revelar um capítulo pouco conhecido da formação de Patrocínio: uma cidade que, ainda nos anos 1950, já desenvolvia uma iniciativa social que buscava enfrentar a pobreza não apenas com assistência, mas também com educação, trabalho, saúde e moradia.

As Obras Sociais do Sertãozinho foram o primeiro projeto social do Triângulo Mineiro. O Sertãozinho, como anteriormente era conhecido, corresponde à região onde estão hoje os bairros Marciano Brandão e São Cristóvão, organizados e batizados com esses nomes por meio da Lei nº 1.404, de 7 de julho de 1978.

*Pesquisa histórica e imagens: Marelízio Alves Cortes. As fotografias originais foram recuperadas com auxílio de inteligência artificial

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