Há datas que não ficam guardadas apenas nos documentos oficiais. Elas permanecem vivas na memória de quem viu uma história começar. Para Patrocínio, 5 de outubro de 1991 é uma delas. Naquele dia, há exatos 35 anos, nascia oficialmente o Bairro Serra Negra.
A caminhada, porém, havia começado antes. A Lei nº 2.223/91, de 25 de janeiro de 1991, autorizou a aquisição de uma área de 90 hectares pertencente às empresas Minasilk e Fujiminas. Antes disso, outros locais chegaram a ser estudados para receber o novo bairro popular, entre eles uma área no Horto Florestal, mas o projeto não avançou.
A necessidade de uma nova área ganhou força após a implantação do Bairro Manoel Nunes, que enfrentava dificuldades relacionadas à topografia. Com a compra da fazenda, o Serra Negra começou, enfim, a sair do papel.

Em 11 de agosto de 1991, cerca de 200 moradores do Manoel Nunes foram transferidos para o novo bairro. A dimensão do sonho da casa própria podia ser medida pelos números: 3.329 pessoas se inscreveram na Secretaria de Ação Social em busca de um lote.
Então chegou o histórico dia 5 de outubro.

Em meio a uma grande festa, 800 lotes foram entregues a famílias de baixa renda. O então prefeito Silas Brasileiro e o deputado estadual Romeu Queiroz lançaram a pedra fundamental daquele que se transformaria em um dos mais tradicionais e populosos bairros de Patrocínio.
Poucos meses depois, em 26 de dezembro de 1991, as ruas começaram também a ganhar nomes — e, com eles, identidade. A primeira via oficialmente nominada foi a Avenida Joaquina Marra de Carvalho, seguida pelas avenidas Rufina Alvina de Jesus e Enéias Ferreira de Aguiar. A Rua 61 tornou-se Rua Miguel Coelho Marra.

De lá para cá, muita coisa mudou. Casas foram erguidas, famílias cresceram, gerações nasceram e sonhos criaram raízes.
Entre os símbolos dessa trajetória está a Escola Municipal Maria Isabel Queiroz Alves, o CAIC, espaço que ajudou a formar milhares de crianças e jovens e se tornou parte inseparável da história da comunidade.
Aos 35 anos, o Serra Negra é muito mais que ruas, casas e avenidas. É memória, pertencimento e a história de milhares de patrocinenses – além de pessoas vindas de outras cidades -, que ajudaram, tijolo por tijolo, a transformar um projeto habitacional em um verdadeiro lar.
*Pesquisa histórica: Marelízio Alves Cortes – as fotos foram recuperadas com auxílio de IA