Vasculhando os alfarrábios que guardam a memória política da terra rangeliana, encontramos personagens e acontecimentos que ajudaram a escrever os primeiros capítulos da democracia patrocinense.
Corria o ano de 1945. Com o fim do Estado Novo, o Brasil respirava novos ares democráticos e Patrocínio também se preparava para reencontrar as urnas.
No dia 2 de dezembro daquele ano, aconteceram as eleições gerais que abririam caminho para a Constituição Federal de 1946 e a Constituição Mineira de 1947.
Naqueles tempos, Patrocínio integrava a 107ª Zona Eleitoral de Minas Gerais e apresentava seus primeiros candidatos às casas legislativas.

O jovem médico Joaquim Otávio de Brito, pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), tornou-se o primeiro candidato patrocinense a deputado estadual.

Já o Juiz de Direito Walter Machado, pelo Partido Social Democrático (PSD), entrou para a história como o primeiro candidato da terra rangeliana à Câmara Federal, conquistando 2.322 votos no município.
Uma curiosidade: naquela eleição, nada menos que 54 candidatos receberam votos dos eleitores patrocinenses.
1947: o povo volta a escolher seu prefeito
Dois anos depois, os ventos da democracia soprariam novamente sobre Patrocínio.
Após um longo período de administradores nomeados, chegava a hora de devolver ao povo o direito de escolher os destinos da cidade.
O último prefeito nomeado, ainda no apagar das luzes do Estado Novo, foi o produtor rural Péricles Borges de Paiva.
Em 1º de agosto de 1947, a Câmara Municipal passou a contar com 11 vereadores. Poucos meses depois, em 23 de novembro, os patrocinenses voltaram às urnas para escolher seu prefeito.

Na disputa estavam dois conhecidos personagens da política local: Honorato Martins Borges Filho (UDN), antigo agente executivo entre 1928 e 1930, e João Alves do Nascimento (PSD).
Aberta a última urna, o veredicto popular estava dado:
João Alves do Nascimento (PSD): 2.852 votos
Honorato Martins Borges Filho (UDN): 2.384 votos
Com uma vantagem de 468 votos, João Alves do Nascimento retornava ao comando do município após 17 anos, tornando-se o único antigo agente executivo a ocupar a Prefeitura depois da criação do cargo, em 1930.

Os vereadores daquela legislatura
Também conquistaram seus lugares na história política patrocinense os vereadores Amir Amaral (421 votos), Benedito Romão de Melo (357), Adélio Luiz Côrtes (232), Osvaldo Ferreira dos Santos (324), Cassimiro Barbosa Faria (220), Gustavo Machado (259), Jacinto Alves Pereira (318), Waldemar Martins Lemos (330), Abrão Nader (350), Abdias Alves Nunes (201) e Jovino José da Silva (250).
Um novo capítulo da história
E assim, no dia 7 de dezembro de 1947, João Alves do Nascimento tomou posse ao lado de José Francisco Queiroz, enquanto Amir Amaral foi escolhido para presidir a Câmara Municipal.
Naquele dezembro distante, entre discursos, apertos de mãos e esperanças renovadas, Patrocínio iniciava uma nova etapa de sua caminhada democrática.
**Pesquisa histórica: Marelízio Alves Cortes – As imagens resgatadas de jornais da época foram corrigidas pela IA