PATROCÍNIO VAI TESTAR FORÇAS E HERANÇAS POLÍTICAS NA BATALHA RUMO À ALMG

Pelo andar da carruagem, as eleições deste ano em Patrocínio prometem testar, como poucas vezes antes, a força, o prestígio e o poder de transferência de voto de três lideranças de peso na política rangeliana.

Caso se confirme a presença de Maria Clara Marra, Pedro Lucas e Níkolas Elias na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o embate extrapola a eleição proporcional e se transforma em um verdadeiro duelo ao pôr do sol entre Deiró Marra, Gustavo Brasileiro e Greyce Elias – com reflexos claros já projetados para o pleito municipal de 2028.

Greyce Elias e o desafio da transferência de votos

Deputada federal pelo Avante, Greyce Elias ostenta números expressivos. Em 2022, foi a mulher mais bem votada de Minas Gerais, somando 110.346 votos em todo o Estado. Em Patrocínio, seu principal reduto eleitoral, mantém uma média consistente entre 14 mil e 16 mil votos.

Caso consiga transferir esse capital político ao irmão mais velho, o presidente da Câmara Municipal Níkolas Elias, a votação daria musculatura e fôlego à candidatura dele à ALMG. A história, no entanto, ensina cautela.

Um precedente que serve de alerta

Vale lembrar que, no auge de sua carreira política, o então deputado federal Romeu Queiroz tentou introduzir (no bom sentido, claro!) o filho Marcelo na política como deputado estadual. 

Rodou Minas Gerais com o herdeiro a tiracolo, mas não obteve êxito nas urnas. Mesmo traquejado na política eletiva, Romeu sentiu na pele que transferência de voto não é ciência exata.

Maria Clara e o peso do momento antagônico

No pleito de 2022, Maria Clara Marra – com apoio direto do pai e então prefeito Deiró Marra -, conquistou uma cadeira na ALMG com 42.415 votos em todo o Estado. Em Patrocínio, foram 27.157 votos, uma votação robusta que refletia o ótimo momento político vivido pelo GDM naquele período.

Analistas da política local, no entanto, avaliam que esse desempenho em Patrocínio pode sofrer uma queda significativa – possivelmente reduzida à metade – observando-se o cenário atual desfavorável. Deixando de lado o eixo local, é sabido que MCM já construiu base eleitoral em outras cidades.

Gustavo Brasileiro entra em campo com Pedrinho

Soberano nas urnas municipais em 2024, quando recebeu 28.082 votos, Gustavo Brasileiro já manifestou apoio ao jovem empresário Pedro Lucas, o Pedrinho Bom Negócio.

Ainda desconhecido da política eletiva, Pedro Lucas aposta na juventude, no carisma, num discurso alinhado às principais demandas da região e no prestígio, apoio afetivo, moral e financeiro do pai, Geraldo Marra, o Geraldinho da Bom Negócio, e do padrinho e atual vice-prefeito, Maurício da Cunha.

Um nome fora do eixo tradicional

Outro patrocinense que deve colocar seu nome à apreciação do eleitorado é o desportista e empresário do setor de transporte viário em Ribeirão Preto, João Batista de Carvalho, o Barrela.

Nos bastidores, sabe-se que o criador e organizador do tradicional “Encontro dos Amigos” tem se reunido com grupos e lideranças de diversas cidades mineiras. Diferentemente dos demais nomes citados, Barrela não conta com padrinho político – pelo menos por enquanto.

Isso posto (e posto isso), tudo leva a crer que Patrocínio não vai apenas escolher representantes nas Eleições 2026… vai medir forças, avaliar legados e ensaiar, desde já, os capítulos de uma sucessão municipal de 2028. 

Afinal, como vovô já dizia, “Na política, o amanhã começa ontem.”

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