Folheando os velhos alfarrábios da história política de Patrocínio, encontramos um capítulo daqueles que o tempo não conseguiu apagar. Era 3 de outubro de 1950, quando os patrocinenses foram às urnas para protagonizar uma das eleições municipais mais acirradas de que se tem notícia.
Na disputa pela Prefeitura estavam três candidatos: Amir Amaral (PSD), que já havia governado o município entre 1945 e 1946; o produtor rural Péricles Borges de Paiva (UDN), prefeito em 1947 e José Constantino (PTB).

Quando a última urna foi apurada, veio a surpresa: Amir Amaral conquistou 2.410 votos, contra 2.382 de Péricles Borges. José Constantino recebeu 636 votos.
Apenas 28 votos separaram a vitória da derrota, numa disputa que entraria definitivamente para os registros políticos da terra rangeliana.
Naquele mesmo 3 de outubro, os eleitores também escolheram presidente da República, governador, senador e deputados.
Cinco nomes disputaram uma cadeira na Assembleia Legislativa: João Alves do Nascimento (PSD), José de Faria Tavares (UDN), Gentil Nascimento, José Botelho de Miranda (PR) e Oswaldo Pieruccetti (UDN).

Nas urnas de Patrocínio, João Alves liderou com 2.401 votos, seguido por José de Faria Tavares, com 1.940. Gentil Nascimento recebeu 88 votos; José Botelho de Miranda, 49; e Oswaldo Pieruccetti, apenas 10.
A curiosidade ficou por conta de Oswaldo Pieruccetti. Apesar dos modestos dez votos em Patrocínio, foi o único dos cinco a conquistar uma cadeira na Assembleia, somando 7.608 votos em Minas Gerais.

À época, ele havia deixado a Prefeitura de Araguari para disputar o Legislativo estadual.
Outros 75 candidatos de diferentes cidades também receberam votos no município.
Naquele distante 1950, Patrocínio contava com cerca de 8.500 eleitores, vinculados à 107ª Zona Eleitoral.
**Pesquisa histórica: Marelízio Alves Cortes – As imagens resgatadas de jornais da época foram corrigidas pela IA