DÉCADA DE 70: O ENCANTO TOMAVA CONTA DE PATROCÍNIO QUANDO A CIDADE ESCOLHIA SUA RAINHA

Muito antes de se firmar como a consagrada Capital do Café, com suas majestades eleitas anualmente entre grãos e tradições, Patrocínio já cultivava outro ritual de beleza e encantamento: a escolha da Rainha da Cidade, celebrada com brilho nos festejos de aniversário de sua emancipação político-administrativa.

Naquele 5 de abril de 1975, a cidade pulsava em expectativa. E, ao final da apuração, o nome que ecoou entre aplausos foi o de Gislaine Rodrigues de Oliveira, coroada como a nova rainha, sucedendo Sueli Dairel. Com expressivos 14.235 votos, Gislaine conquistou não apenas o título, mas o carinho de uma população inteira.

Ao seu lado, formando a corte, estavam a primeira princesa, Telma Elita de Oliveira, com 11.281 votos, e a segunda princesa, Maria Aparecida Queiróz, que recebeu 5.342 votos – números que, somados, traduzem o envolvimento de uma cidade inteira na celebração.

A votação, aliás, carregava um significado especial: cada voto, ao custo de dois cruzeiros, ajudava a compor um montante de cerca de 80 mil cruzeiros — prova de que a festa também era construída com a participação coletiva e generosa da comunidade.

A apuração final aconteceu às 17h30, no auditório da Rádio Difusora, no prédio do Cine Rosário, e era transmitida ao vivo para toda a cidade. Ali, entre olhares atentos e corações acelerados, conduziram os trabalhos o ex-vice-prefeito e ex-vereador Benedito Romão de Melo, ao lado do engenheiro Marcelo de Carvalho Ribeiro, representando o então prefeito Olímpio Garcia Brandão. 

Também participaram desse momento solene o professor Tomás Aquino Nunes, Alice Nascimento e o radialista Joaquim Assis Filho.

 Mas foi à noite que a magia ganhou forma completa.

No Estádio Júlio Aguiar, sob as luzes e a vibração de uma multidão, Gislaine recebeu sua coroa. A cerimônia antecedeu o aguardado show de Ronnie Von, o eterno “Pequeno Príncipe” da Jovem Guarda, que levou o público ao delírio.

Os jornais da época registraram o encanto daquele momento: nunca o estádio havia recebido tanta gente de uma só vez. A noite foi dividida em três atos, como um espetáculo cuidadosamente orquestrado. Primeiro, o desfile das rainhas e princesas do ano anterior; depois, a apresentação e coroação da nova corte; e, em seguida, talentos da própria cidade, com apresentações de June Katia, Elza Lima, Maria Lucia Silva e Elimar Assis.

Por fim, o palco foi tomado pelo humor de Renato Corte Real e pela música envolvente de Ronnie Von e seu conjunto. E foi ali, entre canções que percorriam sua trajetória artística e aplausos calorosos, que a noite se consagrou inesquecível.

Mais do que um concurso, aquela celebração foi um retrato de um tempo em que a cidade se reunia para festejar a si mesma – com elegância, emoção e um toque de sonho. Naquele abril de 1975, Patrocínio não apenas escolheu uma rainha… ela viveu um verdadeiro conto de encanto coletivo.

*Pesquisa e arquivo fotográfico: Marelízio Alves Cortes

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