A HISTÓRICA DATA EM QUE SERRA DO SALITRE BUSCOU SUA EMANCIPAÇÃO DE PATROCÍNIO

Muito antes de conquistar oficialmente sua emancipação, em 1953, o então distrito de Serra do Salitre já alimentava, desde a década de 1940, o desejo de caminhar com as próprias pernas e escrever sua própria história longe da tutela de Patrocínio.

Naquele período, a Câmara Municipal de Patrocínio era presidida pelo doutor Amir Amaral, figura influente da política local e ex-prefeito durante os anos do Estado Novo. 

As reuniões aconteciam no imponente casarão da Praça da Matriz – o mesmo prédio centenário que hoje abriga o Museu Hugo Machado da Silveira – cenário de importantes e decisivos capítulos da memória patrocinense.

Foi ali, na noite de 24 de julho de 1948, que ocorreu uma das sessões mais emblemáticas da história política regional. Dos 13 vereadores que compunham a Casa de Leis, apenas sete compareceram à reunião extraordinária que discutiria a projetada emancipação de Serra do Salitre. 

Do lado de fora, a Praça da Matriz estava tomada por moradores curiosos e apreensivos, acompanhando cada movimento daquela sessão que misturava esperança, política e destino.

Apesar do entusiasmo dos defensores da emancipação, a realidade administrativa ainda pesava contra o distrito. Serra do Salitre não preenchia os critérios estabelecidos pela Lei Estadual nº 28, de 22 de novembro de 1947. 

A renda anual exigida era de 100 mil cruzeiros, mas o distrito arrecadava cerca de 94 mil. Também não possuía as 200 moradias mínimas determinadas pela legislação. Faltavam, ainda, prédios públicos para abrigar Prefeitura e Câmara Municipal, além de um matadouro municipal – estrutura considerada essencial à época.

Outro detalhe curioso marcou aquele debate histórico: comunidades vizinhas, como Catulés, o povoado de São Benedito – então conhecido como Estação Salitre – e o distrito de Catiara, manifestaram resistência à separação.

Ao final da sessão, os vereadores presentes votaram contra o projeto emancipacionista. Um dos parlamentares declarou ser favorável à divisão de grandes municípios, desde que os novos territórios possuíssem condições reais de crescimento e sustentabilidade. Em tom quase profético, citou uma frase do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe: “A ilusão é curta, e o arrependimento é longo.”

O tempo, porém, seguiria seu próprio curso.

Aquela reunião histórica ainda reservava um curioso encontro com o futuro. Entre os sete vereadores presentes estavam dois homens que mais tarde ocupariam o cargo de prefeito. Benedito Romão de Melo eleito vice-prefeito, viria a assumir a Prefeitura de Patrocínio por dois meses, em 1961. Já Joaquim Santos de Oliveira, então vereador representante de Catiara, tornaria-se prefeito de Serra do Salitre após a emancipação.

Cinco anos depois daquela memorável sessão, finalmente o sonho sairia do papel. Em 1953, durante o governo de Juscelino Kubitschek, Serra do Salitre conquistaria oficialmente sua emancipação política.

E assim, entre discursos, resistência e esperança, nascia um novo município no coração do Cerrado mineiro. O restante dessa história… fica para o próximo capítulo.

*Pesquisa e imagens: Marelízio Alves Cortes

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