OPINIÃO: PATROCÍNIO PRECISA CRESCER SEM APAGAR SUA HISTÓRIA

Patrocínio vive um momento que exige uma discussão madura sobre o futuro de sua ocupação urbana. Com cerca de 100 mil habitantes e uma economia pujante, o município precisa encontrar um equilíbrio entre preservação histórica, desenvolvimento imobiliário e qualidade de vida.

Uma das questões mais urgentes passa pela revisão da política de zoneamento urbano, permitindo uma verticalização planejada nas áreas já consolidadas, sem comprometer imóveis que realmente tenham relevância histórica.

Grandes áreas vazias no coração da cidade

Patrocínio possui terrenos de grandes dimensões em regiões centrais que permanecem desocupados. Em muitos casos, o entorno de imóveis considerados históricos acaba impondo restrições e exigências que tornam pouco atrativa a implantação de empreendimentos de maior porte.

A discussão não deve ser sobre demolir ou descaracterizar prédios históricos. Esses imóveis precisam, sim, ser preservados. O ponto é outro: preservar uma construção histórica significa necessariamente impedir o desenvolvimento de todo o seu entorno?

É aí que a legislação precisa encontrar o equilíbrio.

A cidade crescendo para os lados

Enquanto municípios como Patos de Minas e Uberlândia avançam na verticalização de áreas urbanas consolidadas, Patrocínio assiste ao crescimento cada vez maior de loteamentos afastados da região central.

Esse chamado espraiamento urbano tem consequências. Quanto mais distante a população mora, maior a necessidade de transporte público, deslocamentos de carro e expansão das redes de água, esgoto, iluminação e pavimentação.

Além disso, a expansão sobre áreas ainda não ocupadas pode aumentar a pressão sobre matas, nascentes e outros espaços ambientalmente importantes.

Em resumo: quando a cidade não consegue crescer para cima onde já existe infraestrutura, acaba sendo obrigada a crescer para os lados.

Preservar não é congelar

Patrocínio tem mais de 180 anos de história e possui construções que fazem parte da memória da população. Mas é preciso diferenciar patrimônio histórico de cidade histórica.

Como bem observa um grande amigo e conselheiro do M1OL, Patrocínio não é Roma, Veneza ou Ouro Preto. Existem imóveis históricos importantes, mas isso não significa que toda a área ao redor deles deva permanecer intocada.

É perfeitamente possível preservar uma construção histórica e, ao mesmo tempo, permitir um empreendimento moderno em seu entorno, desde que existam critérios claros de altura, recuos, fachadas, volumetria e impacto urbano. O antigo e o novo podem conviver de forma harmoniosa.

Uma mudança que pode gerar emprego e renda

Uma revisão responsável da Lei de Zoneamento Urbano poderia atrair investimentos para regiões que já possuem infraestrutura, movimentando a construção civil, gerando empregos, aumentando a arrecadação e fortalecendo o comércio e os serviços.

Para isso, é necessário que Prefeitura, Câmara Municipal, Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, profissionais da construção civil, arquitetos, urbanistas, investidores e população participem de uma discussão técnica e transparente.

Sem vaidades e sem transformar o debate em uma disputa entre “preservacionistas” e “desenvolvimentistas”.

Patrocínio precisa pensar no futuro

Como Capital Mundial do Café, Patrocínio já possui uma força econômica que a coloca entre os municípios de destaque do Alto Paranaíba. O próximo passo é construir uma visão urbana compatível com esse crescimento.

Preservar a história é obrigação. Desenvolver a cidade também.

O desafio está justamente em fazer as duas coisas caminharem juntas. Porque uma cidade que não preserva sua memória perde sua identidade; mas uma cidade que não permite seu crescimento corre o risco de transformar o próprio desenvolvimento em peça de museu.

Fique por dentro das notícias!

Receba as principais notícias do dia diretamente no seu WhatsApp. Informação rápida, confiável e em primeira mão!