A CHEGADA DA FERROVIA TRANSFORMOU BARREIRO NO ATUAL DISTRITO DE SALITRE DE MINAS

Com a chegada da Maria Fumaça ao município de Patrocínio, alcançando o povoado de Catiara – como relatado no capítulo anterior – as obras da Estrada de Ferro Goiás avançavam gradativamente em direção à cidade.

No entanto, diversos obstáculos acabaram retardando o progresso dos trilhos.

O principal deles era a falta de estrutura para abrigar os trabalhadores. Catiara, então um pequeno povoado, não possuía moradias, pensões ou acomodações suficientes para receber o grande contingente de operários envolvidos na construção da ferrovia. Muitos deles precisavam se deslocar diariamente a partir de Ibiá.

A história do atual Distrito de Salitre de Minas está diretamente ligada à chegada dos trilhos, em 1918.

Antes da ferrovia, a região era conhecida como Barreiro e fazia parte das terras pertencentes ao senhor Evaristo Alves. Com a implantação da estação ferroviária, o local passou a ser chamado de Estação Salitre.

A inauguração da estação foi marcada por grande entusiasmo popular. Um jornal da época registrou que, em 17 de junho de 1918, o comboio inaugural, especialmente ornamentado para a ocasião, trouxe a diretoria da Estrada de Ferro Goiás e representantes do Governo Federal. 

Cerca de mil pessoas participaram da recepção, entre aplausos e comemorações. Durante a solenidade, discursaram autoridades e engenheiros responsáveis pela obra, enquanto diversos passeios de trem foram realizados para moradores de Patrocínio e cidades vizinhas.

Naquele momento, a expectativa era grande para a conclusão do trecho até Patrocínio. Restavam apenas 12 quilômetros de trilhos para que a ferrovia alcançasse a cidade, sendo que o leito da estrada já estava preparado e a instalação dos dormentes praticamente concluída.

O desenvolvimento da região ganhou novo impulso em 1920, quando o senhor Dali adquiriu parte das terras de Evaristo Alves para instalar uma charqueada – denominação utilizada na época para estabelecimentos de processamento de carnes. A ferrovia passou a desempenhar papel fundamental no transporte de gado e de charque, a carne bovina salgada e desidratada produzida no local.

Na década de 1930, a charqueada foi adquirida por Jarbas Gambogi, que promoveu a demolição das antigas instalações e construiu um novo frigorífico, ampliando a importância econômica da região.

Anos mais tarde, em 9 de abril de 1949, a Estação Salitre recebeu a visita do ministro João Alberto, influente industrial paulista, que esteve na região para conhecer o frigorífico. Na mesma época, o empreendimento passou a se chamar Frigorífico Esperança, sob a administração de Arnaldo Gambogi, que foi recepcionado pelo então prefeito de Patrocínio, João Alves do Nascimento.

Durante a visita, discutiu-se um projeto ambicioso: a construção de um aeroporto próximo ao frigorífico, permitindo o transporte aéreo de carnes para grandes centros consumidores, como São Paulo e Rio de Janeiro, além de mercados internacionais. Apesar do entusiasmo inicial, a iniciativa não saiu do papel.

Com a emancipação do distrito de Cruzeiro da Fortaleza, em 1962, foram criados os distritos de Santa Luzia e Salitre de Minas. Contudo, a instalação oficial de Salitre de Minas ocorreu apenas em 1º de abril de 1978, durante a administração do prefeito Afrânio Amaral. 

A cerimônia foi realizada no Cartório de Registro de Imóveis e contou com a presença de vereadores e do industrial Homero Saturnino Tafner, consolidando definitivamente a história administrativa da comunidade.

*Pesquisa e imagens: Marelízio Alves Cortes – as fotografias originais foram recuperadas com auxílio de IA

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