No início do século XX, Patrocínio viveu um dos momentos mais marcantes de sua história: a chegada da ferrovia, que aproximou o município de grandes centros como Belo Horizonte e Rio de Janeiro, então capital do país.
O jornal Cidade do Patrocínio, dirigido pelo Padre Nicolau Catalan, acompanhava de perto o avanço dos trilhos até Catiara, povoado que mais tarde se tornaria distrito. As obras da Estrada de Ferro Goiás enfrentaram dificuldades e chegaram a ser interrompidas em 1913 por falta de recursos, sendo retomadas no ano seguinte.

Na época, o município era administrado por Artur Botelho, e membros da Câmara percorriam quase 60 quilômetros em automóveis próprios até Catiara para acompanhar o andamento dos trabalhos.
O esforço foi recompensado em 29 de novembro de 1916, quando a primeira estação ferroviária do município foi inaugurada com grande festa popular, onde mais de mil pessoas acompanharam a chegada do trem inaugural, recebido com fogos e o Hino Nacional.
Discursaram na cerimônia o Dr. João da Costa Rios, representando a Câmara Municipal e o foro local, além dos Drs. Nunes Souza, Olímpio Santos e do próprio Artur Botelho.
Em resposta, agradeceram as homenagens o engenheiro-chefe da Estrada de Ferro Goiás, Dr. Borges de Mello, e o fiscal federal A. Autran Dourado.

Naquele mesmo dia também foi divulgado o primeiro quadro de horários da Maria-Fumaça: o trem chegava a Catiara às 18h45, permanecia durante a noite e partia novamente às 5h30 da manhã, levando consigo passageiros, sonhos, correspondências e a produção agrícola da região.
A estação se tornou símbolo de progresso e desenvolvimento, facilitando o transporte de pessoas e o escoamento da produção agrícola, além de fortalecer a ligação de Patrocínio com todo o Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba.

Mais do que trilhos, a ferrovia trouxe esperança, movimento e abriu caminho para uma nova fase da história patrocinense.
*Pesquisa e imagens: Marelízio Alves Cortes – as fotografias originais foram recuperadas com auxílio de IA