O dia 7 de outubro de 1962 ficou marcado na história política de Patrocínio como palco de uma das eleições mais emocionantes do município. De um lado, o tradicional PSD; do outro, a aguerrida UDN. Era o último grande confronto entre as duas legendas, extintas em 1965, durante o regime militar.
Pelo PSD, disputou a Prefeitura o produtor rural Mário Alves do Nascimento, pai do empresário e ex-prefeito Roberto Queiroz do Nascimento, o Betinho. Seu vice era o médico Dr. Amir Amaral. Ambos já haviam sido eleitos em 1954.
A UDN entrou na disputa com o produtor rural Alaor Ribeiro de Paiva, tendo como vice o empresário Paulo Constantino.

A campanha movimentou a cidade, dividiu famílias, esquentou conversas nas esquinas e terminou com um resultado de tirar o fôlego.
Mário Alves venceu com 4.360 votos, contra 4.272 de Alaor Ribeiro. Uma diferença muito pequena, 88 votos!
Na disputa para vice-prefeito, Dr. Amir Amaral recebeu 4.319 votos, superando Paulo Constantino, que obteve 4.120. A diferença foi de 199 votos.
O resultado entrou para a história como a segunda eleição para prefeito mais apertada de Patrocínio.
Curiosidades daquele pleito
A eleição de 1962 também teve seus capítulos curiosos. Patrocínio apresentou um candidato ao Senado, Oswaldo Pieruccetti (UDN), que conquistou 3.102 votos no município.
Outra particularidade envolveu o Dr. Amir Amaral, que abriu mão de disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa para não prejudicar a candidatura do amigo Lourival Brasil, aceitando concorrer como vice-prefeito.

Para deputado estadual, Expedito de Faria Tavares liderou a votação na cidade, com 3.725 votos, seguido por Sebastião Alves Nascimento, o Binga, com 1.286.
Na disputa para deputado federal, José Maria de Alkimin recebeu 3.365 votos, contra 2.420 de José Humberto.
Os 13 vereadores eleitos foram:
Dr. José Figueiredo (PSD) – 990 votos
Dr. Hélio Furtado de Oliveira (PSD) – 254
Alaor Borges (PSD) – 371
João Queiroz (PSD) – 502
Abdias Alves Nunes (PSD) – 405
Benedito Romão de Melo (UDN) – 720
Gervásio Marques da Silveira (UDN) – 351
Vicente de Paula Arantes (UDN) – 477
Wilson Rabelo de Castro (UDN) – 335
Amâncio Silva (PSD) – 448
Albino Gonçalves Nunes (PSD) – 389
Didi Constantino (UDN) – 335
Ivo Afonso da Silva (UDN) – 225
O PSD conquistou sete cadeiras na Câmara, contra seis da UDN.
Passados 64 anos, a eleição de 1962 continua sendo uma boa lição para os políticos de hoje: em tempos de campanhas milionárias, pesquisas e redes sociais, vale recordar que, naquele distante outubro, apenas 88 eleitores fizeram a diferença entre a vitória e a derrota.
E pensar que, naquela época, conquistar um voto dependia muito mais de uma boa conversa e de um aperto de mão do que de curtidas na internet…
**Pesquisa histórica: Marelízio Alves Cortes – As imagens resgatadas foram corrigidas pela IA
