Mais de 1.200 trabalhadores devem ser demitidos com o encerramento das atividades do Complexo Mineroquímico de Araxá, no Alto Paranaíba, comunicado pela Mosaic Company no mês passado.
A estimativa é do Sima, que representa funcionários da extração mineral, química e fertilizantes na região.
A Mosaic Company informou o início da desmobilização da unidade de produção de fosfato em Araxá. A empresa também comunicou a intenção de vender ativos no município e paralisar operações de mineração em Patrocínio.
No comunicado, o grupo norte-americano não detalhou quantos colaboradores serão afetados. A companhia afirmou apenas que as medidas devem resultar em reduções no quadro de pessoal.
Sindicato estima mais de 1.200 demissões
O número de demissões foi informado pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Extração Mineral, Químicas e de Fertilizantes de Araxá e Região, o Sima.
Segundo o presidente da entidade, Vicente Magalhães, o complexo da Mosaic Fertilizantes em Araxá tem cerca de 600 funcionários diretos. O número de terceirizados também é estimado em aproximadamente 600 pessoas.
“É algo terrível. Não esperávamos que isso fosse acontecer”, afirmou Magalhães, ao comentar o impacto da decisão sobre os trabalhadores ligados à operação.
Primeiros cortes devem atingir cerca de cem pessoas
De acordo com o presidente do Sima, os desligamentos iniciais em Araxá já começaram. A primeira leva de cortes foi de cerca de cem trabalhadores.
Magalhães disse ainda que a empresa informou ao sindicato, em reunião, que a desmobilização completa ocorrerá quando terminar o material estocado. A previsão apresentada é que isso aconteça em julho.
Acordo prevê gratificação e plano de saúde
Na reunião com a companhia, foi fechado um acordo válido por 60 dias para os trabalhadores representados pelo sindicato que forem demitidos. Eles receberão gratificação de três salários, além das obrigações do acerto trabalhista.
O acordo também prevê a manutenção do plano de saúde por seis meses. Para Magalhães, o impacto financeiro inicial pode ser reduzido pelas indenizações, mas a situação pode se agravar depois caso não surjam novas oportunidades de emprego.
Procurada pelo Diário do Comércio, a Mosaic respondeu, em nota, que as informações disponíveis sobre o tema são as que constam no posicionamento já enviado.
Por que isso é um alerta para o setor
A decisão da Mosaic acende um alerta porque não envolve apenas o fechamento de uma unidade local. A própria companhia informou que a paralisação das estruturas de Araxá e Patrocínio deve reduzir em cerca de 1 milhão de toneladas por ano a produção de fosfato da Mosaic Fertilizantes no Brasil.
A medida atinge uma cadeia ligada diretamente ao fornecimento de nutrientes agrícolas, área sensível para um país em que o agronegócio depende de fertilizantes para manter a produtividade.
O caso também chama atenção pelo impacto social imediato. Em Araxá, o sindicato estima mais de 1.200 demissões, considerando cerca de 600 trabalhadores diretos e número semelhante de terceirizados.
A primeira leva de cortes, segundo o Sima, deve atingir aproximadamente cem pessoas, enquanto a desmobilização completa foi estimada para julho, quando acabar o material estocado.
Para o setor, o recado é claro: custos, reorganização de ativos e pressão sobre operações industriais podem mudar rapidamente a presença de grandes empresas em regiões dependentes da mineração e da indústria química.
A Mosaic afirmou que, após eventual venda dos ativos de Araxá, espera reduzir despesas anuais de capital e operação, o que reforça o peso financeiro da decisão.
Esta matéria, publicada no site Click Petróleo e Gás no dia 22/5, foi elaborada com base em informações do Diário do Comércio e do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Extração Mineral, Químicas e de Fertilizantes de Araxá e Região, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.