Por trás da notícia tem gente. E os números mostram que essa gente também está pedindo socorro. Uma pesquisa nacional sobre as condições de trabalho e a saúde mental dos jornalistas revelou que 50,2% dos profissionais entrevistados apresentam sintomas de depressão.
O estudo, realizado pela Fundacentro em parceria com a Fenaj, ouviu 257 jornalistas de diferentes regiões do país, entre dezembro de 2024 e outubro de 2025. O cenário não para por aí: 47,8% relataram estresse, 47,9% convivem com insônia e 35,8% apresentam sintomas de ansiedade.
A pressão da rotina também aparece nos números. 28% dos jornalistas estão em situação de “alto desgaste”, marcada pela combinação de alta demanda e baixo controle sobre o trabalho. E 61,1% percebem baixo apoio social no ambiente profissional.
Na prática, são profissionais que vivem correndo contra o relógio, atrás da informação, lidando com pressão, cobrança, exposição pública e, muitas vezes, acontecimentos difíceis — tudo isso enquanto precisam entregar a notícia em tempo real.
Para a Fenaj, os dados reforçam a necessidade de políticas de proteção à saúde mental e de melhoria das condições de trabalho da categoria.
A notícia é produzida a todo momento e todos os dias. Mas quem produz a notícia também precisa ser ouvido.