Ao longo de seus quase 184 anos, Patrocínio acumula histórias que se entrelaçam como páginas de um livro antigo – algumas amareladas pelo tempo, mas jamais esquecidas.
Entre elas, há um capítulo especialmente simbólico: o 7 de abril de 1942, data que marcou o primeiro centenário da emancipação político-administrativa do município.
Naquele dia festivo, ainda sob o sopro frio das primeiras horas do dia, a cidade despertou antes mesmo do sol. Às cinco da manhã, a população foi convocada para uma alvorada solene – um chamado coletivo que ecoava pelas ruas como anúncio de um novo século de autonomia. Era o passado encontrando o presente em forma de celebração.
Ao cair da tarde, às 18 horas, diante do tradicional Edifício Rosário, vozes se uniram em respeito e civismo ao som do Hino Nacional. Discursos emocionados resgataram a trajetória da cidade, reafirmando o orgulho de um povo que, cem anos antes, havia conquistado sua própria identidade administrativa.
Na sequência, o então prefeito José Garcia Brandão oficializou o feriado municipal, eternizando a data no calendário cívico local.

Na mesma ocasião, foi inaugurado o imponente Obelisco no coração da Praça Honorato Borges – monumento erguido como guardião da memória.
Em suas faces, placas de bronze passaram a narrar, em silêncio eloquente, os marcos históricos daquele centenário.

Curiosamente, a legislação que consolidou o 7 de abril como feriado oficial viria apenas décadas depois, por meio da Lei nº 1.213, de 19 de fevereiro de 1973 – posteriormente respaldada pela Lei Federal nº 9.093, que regulamentou os feriados civis no país.
Recentemente, com a reforma da Praça em 2025, essas mesmas placas foram restauradas e reposicionadas nas proximidades do busto do coronel Honorato Martins Borges, figura que empresta seu nome ao logradouro e cuja presença simbólica segue vigiando a história ali preservada.

As inscrições ali contidas remontam às origens mais remotas da cidade, mencionando a primeira habitação erguida em solo patrocinense e um antigo monjolo instalado às margens do então chamado Córrego Bromado — hoje conhecido como Córrego Padre Vicente, nas imediações de onde se encontra o Catiguá Tênis Clube – citado AQUI por nós na semana passada.
Outro marco relevante dessa linha do tempo viria em 1979, quando o então prefeito Afrânio Amaral instituiu, por meio da Lei nº 1.488/79, a criação do Parque da Matinha.
A área, que abriga a nascente do Córrego Padre Vicente, preserva não apenas um patrimônio ambiental, mas também um elo vivo com o passado – quando suas águas ainda eram conhecidas como as do Córrego Bromado dos Pavões.
Assim, entre leis, monumentos e lembranças, Patrocínio segue escrevendo sua história – com a dignidade de quem honra o passado e a esperança de quem continua, dia após dia, a construir o futuro.
*Pesquisa e acervo de fotos: Marelízio Alves Cortes