Era tempo de novidades, de encontros na praça, de olhares furtivos e curiosos voltados para o futuro. E foi ali, na Praça Santa Luzia, que começava a tomar forma um novo capítulo da história da cidade.
O empreendimento levava a assinatura dos Irmãos Jorge e João Elias, à frente da empresa Melhoramentos S.A., sob a direção de João Elias Abrão (foto recuperada por IA) – homens que, mais do que empreender, ajudariam a construir memórias.

Até então, a cidade contava com apenas uma sala de exibição: o tradicional Cine Rosário, instalado no prédio de mesmo nome, na Praça Honorato Borges, 787.
No térreo, a magia do cinema; no segundo andar, a voz (do coração de Minas Gerais) que ecoava pelos lares – a Rádio Difusora de Patrocínio. Era ali que a imaginação ganhava asas… mas Patrocínio queria mais.
E quis tanto que decidiu participar.
Em maio de 1959, numa iniciativa ousada para um tempo em que “marketing” ainda nem fazia parte do vocabulário, o povo foi chamado a batizar o novo cinema.

Na capa do jornal Gazeta de Patrocínio, uma cédula convidava cada cidadão a sugerir um nome. Preenchido o voto, bastava depositá-lo na urna, ali mesmo, à porta do futuro templo das artes. Era a cidade escrevendo, com as próprias mãos, parte de sua história.
No dia 16 de maio, veio o veredito – e também o grande momento. Nascia o Cine Teatro Patrocínio.
Às 14 horas, sob olhares atentos e corações aquecidos, autoridades civis, militares e religiosas se reuniram para testemunhar a inauguração. O prefeito Enéas Ferreira de Aguiar conduziu o simbólico corte da fita, enquanto o padre Lamberto Verrigt, da Paróquia Nossa Senhora do Patrocínio, abençoava aquele espaço que, a partir dali, seria palco de sonhos.
E então, como não poderia deixar de ser, as luzes se apagaram… e a tela se acendeu.
A primeira sessão reuniu convidados e curiosos, todos partilhando o mesmo encantamento diante da novidade. O Cine Teatro Patrocínio surgia moderno, imponente, quase futurista para os padrões da época: oitocentas poltronas estofadas, ar-condicionado – um luxo – e uma aparelhagem Philips que entregava um som cristalino, digno das grandes salas do país.
Não demorou para que a fama atravessasse fronteiras.
Em 1959, não só em Patrocínio, mas em toda a região, o comentário era uníssono: o “Cine Patrocínio” não era apenas mais um cinema — era, com orgulho, o mais bem equipado do interior do Brasil.
E assim, entre luzes, aplausos e histórias projetadas na tela, a cidade ganhava mais do que um cinema. Ganhava um novo ponto de encontro, um novo motivo para sonhar… e mais uma lembrança daquelas que o tempo não apaga – apenas exibe, em reprises sucessivas, no coração de quem viveu.
*Pesquisa e arquivo fotográfico: Marelízio Alves Cortes