CAFÉ DO CERRADO MINEIRO ENTRA NO DEBATE NACIONAL E COBRA TRANSPARÊNCIA DAS INSTITUIÇÕES

A voz do café do Cerrado Mineiro ganhou alcance nacional. Em manifesto divulgado nesta quinta-feira (11/9), a Federação dos Cafeicultores do Cerrado, ao lado de cooperativas e associações da região, decidiu colocar no papel uma preocupação que vai além das lavouras: a segurança jurídica e a confiança nas instituições brasileiras.

Sem antecipar julgamentos ou apontar culpados, as entidades defendem que os fatos e questionamentos envolvendo o Supremo Tribunal Federal sejam devidamente esclarecidos, com transparência, publicidade, respeito ao devido processo legal e às regras constitucionais.

Para o setor produtivo, a discussão não é apenas política ou institucional. É também econômica. Afinal, quem planta café precisa de previsibilidade para investir, contratar, produzir, negociar e assumir compromissos dentro e fora do país.

O manifesto faz ainda um chamado ao STF, ao Congresso Nacional, à Procuradoria-Geral da República e aos demais órgãos competentes para que exerçam suas atribuições com independência e responsabilidade.

No fim das contas, a mensagem do Cerrado Mineiro é direta e sem rodeios: instituições fortes também precisam saber enfrentar questionamentos – e a confiança pública passa, necessariamente, pela transparência.

Confira abaixo o inteiro teor do manifesto.

MANIFESTO DA REGIÃO DO CERRADO MINEIRO

Em defesa da segurança jurídica, da transparência e da confiança nas instituições

A Federação dos Cafeicultores do Cerrado, suas cooperativas e associações filiadas, reunidas em torno da Região do Cerrado Mineiro, vêm a público manifestar sua preocupação diante dos fatos e questionamentos de relevante interesse público que envolvem o Supremo Tribunal Federal e que, pela dimensão institucional da Corte, exigem esclarecimentos à sociedade brasileira.

Falamos a partir de um território construído pelo trabalho de milhares de produtores, famílias, cooperativas, associações, trabalhadores e empresas. Um setor que planeja safras, investe, gera empregos, assume riscos e estabelece compromissos de longo prazo no Brasil e no exterior. Para quem produz, segurança jurídica, estabilidade institucional e previsibilidade não são conceitos abstratos: são condições essenciais para investir, crescer e gerar desenvolvimento econômico e social.

Reconhecemos o Supremo Tribunal Federal como guardião da Constituição e respeitamos a função indispensável que exerce na democracia brasileira. É justamente pela relevância dessa missão que situações capazes de gerar dúvidas sobre a atuação da Corte ou de seus integrantes devem ser tratadas com máxima transparência, imparcialidade, responsabilidade e observância do devido processo legal.

Não nos cabe antecipar julgamentos, estabelecer culpabilidades ou interferir nas competências constitucionais dos Poderes da República. Cabe-nos, entretanto, defender que fatos de tamanha relevância sejam devidamente examinados e esclarecidos, com publicidade, fundamentação e respeito absoluto à Constituição e às leis.

Por essa razão, defendemos que o Plenário do Supremo Tribunal Federal examine os fatos em sessão pública, com a celeridade compatível com a gravidade do momento, assegurando à sociedade brasileira informações claras e decisões devidamente fundamentadas. Quando questionamentos atingem a confiança em uma das principais instituições da República, o melhor caminho para preservá-la é a transparência.

Da mesma forma, esperamos que o Congresso Nacional, a Procuradoria-Geral da República e os demais órgãos constitucionalmente competentes exerçam, com independência, equilíbrio e responsabilidade, as atribuições que lhes cabem. Instituições fortes não se constroem pela ausência de questionamentos, mas pela capacidade de enfrentá-los dentro da lei, com serenidade e respeito ao Estado Democrático de Direito.

O setor produtivo brasileiro precisa de instituições sólidas, previsíveis e confiáveis. A independência entre os Poderes, o devido processo legal, a liberdade de expressão, a transparência e a igualdade de todos perante a lei são princípios que não pertencem a um partido, governo ou corrente ideológica. Pertencem à democracia brasileira.

A Região do Cerrado Mineiro reafirma seu compromisso com a Constituição, com a democracia e com o diálogo institucional. Defender as instituições significa também defender sua credibilidade. E a confiança pública se fortalece quando dúvidas legítimas são esclarecidas, responsabilidades são apuradas e a lei é aplicada com independência e igualdade.

Nenhuma pessoa ou instituição está acima da Constituição e da lei.

Patrocínio, Minas Gerais, 11 de setembro de 2026.

Entidades signatárias

Federação dos Cafeicultores do Cerrado

CARMOCER – Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado da Região de Carmo do Paranaíba Ltda.

CARPEC – Cooperativa Agropecuária de Carmo do Paranaíba Ltda.

COOCACER – Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado de Araguari e Região

COOPADAP – Cooperativa Agropecuária do Alto Paranaíba

EXPOCACER – Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado Ltda.

MonteCCer – Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado de Monte Carmelo Ltda.

ACA – Associação dos Cafeicultores de Araguari

ACARPA – Associação dos Cafeicultores da Região de Patrocínio

AMOCA – Associação dos Cafeicultores da Região de Monte Carmelo

APPCER – Associação dos Pequenos Produtores do Cerrado

ASSOCAFÉ – Associação dos Cafeicultores da Região de Carmo do Paranaíba

ASSOGOTARDO – Associação de Apoio aos Produtores Rurais da Região de São Gotardo

GRE Café – Região de Araxá

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