Durante os anos do Estado Novo, Patrocínio vivia um período de intenso progresso e transformação. A cidade, que já contava com malha ferroviária e quatro estações de embarque de passageiros, deu mais um importante passo rumo ao desenvolvimento em 1941, ao realizar um antigo sonho da população: a inauguração do Aeroporto Municipal.
Na manhã de 6 de julho daquele ano, um domingo que entraria para a história, centenas de patrocinenses seguiram em direção ao alto da Avenida Faria Pereira, na região leste da cidade, ansiosos para testemunhar a chegada das aeronaves que marcariam o início de uma nova era.

O evento reuniu aviadores dos aeroclubes de Uberlândia, Araguari e São Paulo. Coube ao senhor Marincek, vindo de Uberlândia, a honra de pilotar a primeira aeronave a tocar o solo patrocinense – foto que ilustra a matéria. Um momento simbólico, recebido com entusiasmo e emoção pela população.
Devido a um acidente ocorrido em Uberaba – que danificou o trem de pouso de uma das aeronaves – apenas dois aviões paulistas conseguiram chegar a Patrocínio para a cerimônia.
A inauguração oficial aconteceu às 13 horas, em uma solenidade simples, porém carregada de significado. Após o evento, a Prefeitura de Patrocínio ofereceu um jantar aos aviadores na tradicional Estância Serra Negra.
Aliás, tornou-se costume da década de 1940 celebrar grandes conquistas da cidade com recepções naquele encantador cenário.
O senhor Elias Alves Cunha e os demais aviadores ficaram impressionados com a beleza e a tranquilidade do lugar onde estava instalado o Hotel Serra Negra.
Todos demonstraram grande entusiasmo com a criação do aeroporto, que aproximava ainda mais Patrocínio da famosa estância hidromineral e facilitava o acesso à cidade.
Durante o jantar, o prefeito municipal, doutor José Garcia Brandão, discursou destacando o avanço e o espírito progressista que impulsionavam o município. A comemoração atravessou a madrugada e, no dia seguinte, os festejos continuaram com um baile no então Clube Itamaraty, localizado no segundo andar do Cine Rosário.
Cinco anos mais tarde, em 11 de março de 1946, Patrocínio passou a contar com uma linha aérea regular para Belo Horizonte.

O serviço era operado pela OMTA, primeira empresa de transporte aéreo a atuar na cidade. Às 10h40, a aeronave pousou em solo patrocinense sob os olhares atentos de autoridades, políticos e moradores. O prefeito, doutor Amir Amaral, recepcionou o piloto Djalma Camargos e os diretores da companhia.
A OMTA permaneceu em operação em Patrocínio até 1950, realizando voos todas as segundas-feiras na rota Patrocínio–Araguari–Belo Horizonte.
Em 1949, foi a vez da Nacional Transportes Aéreos voltar seus olhos para a cidade. Representada pelo inspetor Roberto Almeida, a empresa realizou, juntamente com o prefeito João Alves do Nascimento, estudos e levantamentos necessários para ampliar o campo de aviação, que passaria a contar com uma pista de 1.200 metros.

Durante a visita, também foi anunciada a construção de uma casa de radiotelegrafia para atender às operações da companhia.
Por muitos anos, o senhor Abrão Nader atuou como agente credenciado da Nacional Transportes Aéreos em Patrocínio, com escritório instalado na Rua Presidente Vargas, nº 1600. Figura querida e respeitada pela comunidade, Abrão Nader – na foto abaixo, à esquerda, ao lado de Juca Emídio – também marcou sua trajetória como vereador e comerciante à frente da Casa Santa Terezinha.

Assim, entre trilhos, motores e sonhos que cruzavam os céus, Patrocínio escrevia mais um belo capítulo de sua história durante a década de 1940.
*Pesquisa histórica e imagens: Marelízio Alves Cortes – as fotografias originais foram recuperadas com auxílio de IA